Resenha Histórica

A freguesia localiza-se às portas da Cidade de Coimbra, na parte Noroeste do Município e margem direita do rio. Integrada em pleno Baixo Mondego, é constituída pelos lugares de S. João do Campo e Cioga do Campo, situados na zona de monte, por contraste com a planície aluvial em redor – o campo.
Com 7.31 km2 de área, é o campo que marca fortemente a paisagem, com vegetação rica e variada, despontando de solos fertilizados pelos materiais orgânicos trazidos pelas cheias do Mondego e Vala do Norte. Solos ricos que permitiram a cultura proveitosa de cereais ao longo dos séculos: milho, feijão, trigo, centeio, arroz, vinha e oliveira.  
Administrativamente, os lugares da Cioga e Lavarrabos, pertenceram ao termo de Coimbra até 1371 e, a partir desta data, com a elevação de Ançã a Vila, no tempo de D. Fernando, passou a integrar o seu termo. Com a extinção do concelho de Ançã em 1853, a freguesia e seus lugares reintegraram o Município de Coimbra.
A antiga sede da freguesia (e da paróquia) localizou-se no lugar da Cioga do Campo, tendo como orago Nossa Senhora da Conceição. Na década de 70 do séc. XIX, três importantes decretos mudaram o curso da evolução administrativa da freguesia: a 8/02/1872 transferiu-se para Lavarrabos a sede da freguesia da Cioga do Campo; pelo decreto de 30/06/1879, deu-se o nome de S. João do Campo ao lugar de Lavarrabos aí se fixando a sede da freguesia; e, finalmente, a 8/03/1880 muda-se a denominação da freguesia para S. João do Campo. 
 
S. João do Campo foi povoação conhecida, durante séculos, pelos nomes de Lavarrabos e Rabarrabos. Para a comunidade científica o topónimo derivará de campo de rábanos. Mas, o povo defende outra explicação: quando no tempo das cheias as pessoas tinham de atravessar a vala ou o rio, molhavam-se da cintura para baixo, tendo pois de “lavar o rabo”.
 
Com possível ocupação humana desde os tempos do Neolítico, têm surgido na zona vestígios romanos, como na Mata do Rol. Além da Cioga e de S. J. do Campo, existia outra povoação, a Póvoa da Cioga, que foi absorvida pelo crescimento da primeira. 
O vocábulo Cioga derivará de Sinagoga, que sugere a possibilidade da existência de antigo culto judaico na zona. A hipótese é reforçada pelo documento mais antigo sobre a freguesia, datado de 1156 – doação por Didaco Pais e sua mulher, à Sé de Coimbra, de uma herdade em S. Martinho de Árvore - onde se refere o caminho que se dirige para a Sinagoga.
 
Atraídos pela elevada produtividade e rentabilidade dos solos, a freguesia teve como principais senhorios o Mosteiro de Santa Cruz e a Universidade de Coimbra, que organizaram a exploração da terra em casais: o primeiro a partir do séc. XIV, o segundo desde o séc. XVI. No entanto, outras poderosas instituições religiosas, como a Sé de Coimbra, ou os Mosteiros de Semide, Lorvão e Celas, também disputaram o domínio territorial.
O mosteiro de Santa Cruz concedeu foral ao lugar de Lavarrabos, a 20 de Novembro de 1446. Um diploma que prova a importância do lugar e áreas adjacentes no séc. XV, concedido por razões de fixação das gentes à terra, impedindo a debandada da população e promovendo o cultivo dos campos. Em especial, nele se incentivava o cultivo da vinha: «Que façam vinhas no dito logo cavadura de quatro homes cada hum casal e o que tever dous faça cavadura d’oito homes e o que tever casal e meio faça cavadura de seis homes…»
 
Demograficamente a freguesia tem aproximadamente 2300 habitantes. Em 1708 tinha 790, a maior parte no lugar de Lavarrabos (450), em 1758 cerca de 520 pessoas, em 1801 cerca de 700 almas, no primeiro censo da população realizado em 1864, 822 indivíduos e, em 1950, 1500 habitantes.
Em termos de património destaca-se a Igreja Matriz, em S. João do Campo, dedicada a S. João Baptista, de cariz neoclássico, edificada em 1873 sobre uma anterior capela; a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na Cioga, antiga sede paroquial, reedificada por volta de 1784 e renovada em estilo neoclássico na 1.ª metade do séc. XIX; a sede da Junta de Freguesia, inaugurada a 7/10/1973 e reconstruída a 2/12/2001. No património natural assume relevância o Paul da Cioga, já referido em documentação a partir do ano de 1522.
A freguesia foi berço de importantes personalidades como: Fortunato Oliveira Rocha, n. 1815, bacharel em Medicina, fundador do Instituto de N.ª Sr.ª da Graça, com fins de beneficência e assistência (criado em 1887 e extinto em 1950); António Augusto Cortesão, distinto médico e filólogo, n.1854; Serafim Gomes Ferreira, abastado proprietário e impulsionador do já referido Instituto, maçon e presidente da Junta de Paróquia em 1884;1919 e 1926-1932; Jaime Cortesão, n. 1884, em Ançã, fixou-se em S. João do Campo com 6 anos de idade onde viveu até contrair matrimónio. Foi médico, republicano, deputado e escritor; Armando Cortesão, n. 1891, Agrónomo, chefe agrícola em S. Tomé e Príncipe, investigador e historiador dos descobrimentos portugueses; e Manuel de Matos Cortesão, n. 1910, médico. 
Desde os finais do séc. XIX, que se detectam na freguesia importantes melhoramentos: correio, posto de registo civil, agência de seguros, serviço de camioneta, escolas de ambos os sexos, posto médico, farmácia, centro social e paroquial. Como corolário da existência de um conjunto assinalável de bens e serviços, a 24/08/1989 S. João do Campo foi elevada a primeira vila do Município de Coimbra.
 
A 23 de Julho de 2005, sendo presidente da freguesia José Gonçalves, lançou-se na nova biblioteca a monografia da freguesia de que tive o grato prazer de ser autor, uma recolha de elementos históricos variados, até então dispersos e desorganizados.